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Doença inflamatória intestinal (IBD)
Inflamação crônica e persistente da parede do trato gastrointestinal — pode afetar estômago, intestino delgado e intestino grosso. É uma das causas mais comuns de vômito e diarreia crônicos em cães e gatos de meia-idade. O diagnóstico definitivo exige biópsia intestinal, obtida idealmente por endoscopia digestiva, que permite visualização direta da mucosa e coleta de fragmentos sem cirurgia aberta.
Sinais: vômitos intermitentes, diarreia crônica com recorrência, perda de peso progressiva, flatulência, borborigmos e, em casos graves, hipoproteinemia. Tratamento: dieta de eliminação ou hipoalergênica combinada com medicação imunossupressora; acompanhamento a longo prazo.
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Pancreatite
Inflamação do pâncreas, órgão responsável pela produção de enzimas digestivas e insulina. Pode ser aguda (início súbito, potencialmente grave) ou crônica (episódios recorrentes com lesão progressiva). Em cães, frequentemente associada à ingestão de alimentos gordurosos. Em gatos, pode ocorrer simultaneamente com colangite e IBD — combinação conhecida como triadite felina — e costuma se apresentar de forma mais sutil.
Sinais em cães: vômito intenso, dor abdominal forte, postura de oração, prostração e febre. Sinais em gatos: inapetência, apatia, desidratação e icterícia. Pancreatite aguda é emergência: exige internação com fluidoterapia, controle de dor e suporte nutricional imediatos.
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Hepatopatias (doenças hepáticas)
O fígado é o maior órgão metabolicamente ativo do corpo e está envolvido na digestão, na desintoxicação e na produção de proteínas. Hepatopatias incluem hepatites infecciosas e tóxicas, lipidose hepática (especialmente em gatos obesos que param de comer por 48–72 horas), cirrose, shunt portossistêmico e neoplasias hepáticas. O diagnóstico envolve marcadores laboratoriais (ALT, FA, GGT, albumina, bilirrubina) e ultrassom abdominal.
Sinais: icterícia (amarelamento de pele, mucosas e olhos), vômitos, inapetência, ascite (barriga d'água), urina escura, fezes claras, prostração e, em casos avançados, sinais neurológicos por encefalopatia hepática. Lipidose felina tem bom prognóstico com suporte nutricional intensivo precoce.
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Gastrite crônica
Inflamação persistente da mucosa gástrica com diversas causas possíveis: infecção por Helicobacter spp. (documentada com elevada prevalência em cães), uso prolongado de antiinflamatórios, alergia alimentar, estresse crônico ou doença autoimune. A endoscopia com biópsia é o exame de eleição para confirmar gastrite crônica e investigar a etiologia — tratar apenas com antiemético mascara a causa e permite progressão da lesão.
Sinais: vômitos intermitentes (frequentemente em jejum ou pela manhã), eructação, salivação excessiva, inapetência parcial, ingestão de grama e desconforto abdominal pós-refeição. Tratamento direcionado pela causa identificada na biópsia.
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Corpo estranho gastrointestinal
Ingestão de objetos não alimentares (brinquedos, meias, ossos, pedras, linhas e agulhas) — emergência gastrointestinal frequente, especialmente em filhotes e cães jovens. Pode se alojar no esôfago, estômago ou intestino, causando obstrução parcial ou total. Objetos lineares como fios e barbantes são particularmente perigosos em gatos — podem causar plicatura intestinal e perfuração.
Sinais: vômito súbito e repetitivo, recusa alimentar, salivação excessiva, dor abdominal aguda e apatia. Diagnóstico: raio-X e ultrassom. Em muitos casos, a remoção é feita por endoscopia sem cirurgia aberta — obstrução intestinal completa ou perfuração exigem abordagem cirúrgica imediata.
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Insuficiência pancreática exócrina (IPE)
Pâncreas que não produz enzimas digestivas suficientes para digerir proteínas, gorduras e carboidratos. Mais comum em cães jovens a adultos de raças como Pastor Alemão e Collie, mas pode afetar qualquer raça e também gatos. O diagnóstico é feito pela dosagem de TLI (trypsin-like immunoreactivity) sérica — valores reduzidos confirmam IPE. Sem tratamento, o animal sofre desnutrição progressiva mesmo com apetite voraz.
Sinais: fezes volumosas, amareladas e gordurosas (esteatorréia), perda de peso com apetite excessivo (polifagia), flatulência intensa, coprofagia e pelagem sem brilho. Tratamento: suplementação de enzimas pancreáticas a cada refeição, mantida por toda a vida do animal.