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Epilepsia
Condição caracterizada por convulsões recorrentes sem causa estrutural identificável (epilepsia idiopática) ou secundárias a lesão cerebral (epilepsia estrutural). A epilepsia idiopática é a causa mais comum de convulsões em cães entre 6 meses e 5 anos de idade, com prevalência de 0,5–0,75% na população canina geral — significativamente maior em raças como Beagle, Pastor Alemão, Golden Retriever, Labrador, Border Collie e Dachshund. A maioria dos cães com epilepsia idiopática tem componente genético hereditário.
Sinais: convulsões generalizadas (corpo todo, perda de consciência, salivação, movimentos de pedalagem) ou focais (tremor de uma região, automatismos). Podem ocorrer isoladas ou em cluster (múltiplas em 24h). Diagnóstico: exame neurológico (normal entre crises na epilepsia idiopática), hemograma, bioquímica (descartar causa metabólica), raio-X. Tratamento: anticonvulsivantes (fenobarbital, brometo de potássio, levetiracetam), com acompanhamento laboratorial periódico.
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Doença do disco intervertebral (hérnia de disco)
Degeneração e deslocamento do disco intervertebral com compressão da medula espinhal — causa mais comum de dor na coluna em cães. Tem forte predisposição em raças condrodistróficas (Dachshund, Beagle, Shih Tzu, Lhasa Apso, Buldogue Francês, Cocker Spaniel), que apresentam mineralização precoce dos discos. A forma aguda (Hansen tipo I) pode causar paralisia em horas e é emergência cirúrgica.
Sinais: dor na coluna (costas arqueadas, choro ao ser manipulado), fraqueza dos membros traseiros, tropeços, arrastar das patas, incontinência urinária. Diagnóstico: exame neurológico (localiza a lesão), raio-X da coluna, tomografia ou ressonância magnética para confirmar e planejar cirurgia. Tratamento: conservador (repouso absoluto + analgesia) em casos leves; cirúrgico (hemilaminectomia) em casos com déficit neurológico significativo. Tempo entre paralisia e cirurgia influencia prognóstico.
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Síndrome vestibular
Disfunção do sistema vestibular (responsável pelo equilíbrio) — uma das emergências neurológicas mais frequentes na clínica de pequenos animais. Pode ser periférica (ouvido interno — mais comum, geralmente melhor prognóstico) ou central (tronco cerebral/cerebelo — mais grave). A síndrome vestibular geriátrica (idiopática) é a causa mais comum em cães com mais de 10 anos: tem início súbito, causa grande alarme no tutor, mas geralmente se resolve em 1 a 3 semanas com tratamento de suporte.
Sinais: cabeça inclinada (head tilt), nistagmo (movimento rítmico dos olhos), andar em círculos, perda de equilíbrio, queda para um lado, náusea e vômito. Na forma central — alteração de consciência, déficits proprioceptivos, nistagmo vertical. Diagnóstico: exame neurológico (diferencia periférica de central), otoscopia, raio-X de bulas timpânicas, hemograma. Tratamento: suporte (anti-eméticos, fluidoterapia), tratar causa quando identificada (otite média/interna na periférica).
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Meningoencefalite de origem desconhecida (MUO)
Grupo de doenças inflamatórias do sistema nervoso central (cérebro e meninges) de origem imunomediada — inclui a meningoencefalite granulomatosa (MEG), a meningoencefalite necrosante (NME) e a leucoencefalite necrosante (NLE). Acomete predominantemente cães de raças pequenas — Pug, Yorkshire, Maltês, Chihuahua, Shih Tzu e West Highland White Terrier — com maior incidência em fêmeas entre 3 e 7 anos de idade. É progressiva se não tratada.
Sinais: variam conforme localização — convulsões, desorientação, cegueira, andar em círculos, head tilt, dor cervical, ataxia, mudanças de comportamento. Diagnóstico: exame neurológico, hemograma, análise de líquor (LCR), ressonância magnética quando indicada. Diagnóstico definitivo é histopatológico. Tratamento: imunossupressão com corticoides (prednisona) associados a outras drogas imunossupressoras (citarabina, ciclosporina), com acompanhamento de longo prazo. Prognóstico variável — resposta ao tratamento define sobrevida.
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Mielopatia degenerativa
Doença neurodegenerativa progressiva que causa perda gradual de função dos membros posteriores, evoluindo para paraplegia ao longo de meses. Foi inicialmente descrita em Pastor Alemão, mas afeta outras raças como Boxer, Corgi, Cavalier King Charles, Golden Retriever, Pug e Bernese Mountain Dog. Os sinais começam tipicamente em cães acima de 8 anos. Tem base genética (mutação no gene SOD1) e, até o momento, não existe tratamento que reverta ou interrompa a progressão.
Sinais: fraqueza progressiva dos membros traseiros, arrastar das patas (desgaste das unhas), tropeços, perda de propriocepção, dificuldade para levantar, incontinência urinária/fecal em fases avançadas. A dor não é característica — diferente da hérnia de disco. Diagnóstico: exame neurológico, raio-X de coluna (exclui hérnia de disco), teste genético para SOD1. Diagnóstico definitivo é histopatológico (post mortem). Manejo: fisioterapia, hidroterapia, uso de carrinho de rodas, controle de peso. O objetivo é manter qualidade de vida e mobilidade o máximo possível.
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Trauma cranioencefálico e espinhal
Lesão do cérebro ou da medula espinhal causada por trauma externo — atropelamento, queda, briga ou projétil. O trauma cranioencefálico (TCE) é emergência: pode causar edema cerebral, hemorragia intracraniana e herniação, com risco de morte se não tratado. O trauma espinhal pode causar paralisia imediata por contusão ou fratura vertebral com compressão medular. A avaliação neurológica seriada (escala de Glasgow modificada para veterinária) define gravidade e prognóstico.
Sinais no TCE: alteração de consciência (desde letargia até coma), pupilas assimétricas ou dilatadas, convulsões, vômito, desorientação. Sinais no trauma espinhal: paralisia, perda de sensibilidade, retenção urinária, dor. Diagnóstico: exame neurológico seriado, raio-X, tomografia quando indicada. Tratamento: estabilização hemodinâmica, controle de pressão intracraniana (manitol, posição elevada da cabeça), analgesia, fluidoterapia. Cirurgia quando há fratura instável ou compressão medular.