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Obesidade e sobrepeso
A obesidade é a doença nutricional mais prevalente em cães e gatos — afeta cerca de 40% dos pets domésticos no Brasil e é classificada como doença crônica inflamatória. Pet com sobrepeso tem risco aumentado de diabetes mellitus, doença articular degenerativa (displasia, artrose), lipidose hepática (em gatos), doença cardiorrespiratória, dermatopatias e redução de 2 a 3 anos na expectativa de vida. Animais castrados, sedentários, de meia-idade e de raças predispostas (Labrador, Golden, Beagle, Pug, gatos de apartamento) são os mais vulneráveis.
Diagnóstico: escore de condição corporal (ECC, escala 1-9), pesagem, medida de circunferência abdominal, exames metabólicos (glicemia, colesterol, triglicerídeos, função tireoidiana). Tratamento: plano calórico restritivo individualizado, ração terapêutica ou dieta caseira hipocalórica com acompanhamento, aumento gradual de atividade física, pesagens de controle a cada 2-4 semanas.
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Dieta terapêutica renal
Pet com doença renal crônica (DRC) depende de dieta com teor controlado de fósforo e proteína de alta qualidade para retardar a progressão da doença e manter qualidade de vida. A restrição proteica deve ser adequada ao estágio IRIS — restringir demais causa perda muscular, restringir de menos sobrecarrega o rim. Suplementação com ômega-3, potássio e vitaminas do complexo B pode ser necessária conforme o estágio.
Indicação: pet com DRC diagnosticada em qualquer estágio, pet com creatinina ou SDMA elevados, pet em fluidoterapia domiciliar. A transição alimentar deve ser gradual (7-14 dias), com aceitação monitorada — gatos com DRC frequentemente apresentam inapetência.
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Alergia e intolerância alimentar
Reação adversa ao alimento é uma das causas mais subdiagnosticadas de coceira crônica, otite de repetição e distúrbios gastrointestinais em cães. As proteínas mais associadas a reações em cães são frango, carne bovina e leite. Em gatos, peixe e carne bovina. O diagnóstico definitivo é feito por dieta de eliminação com proteína hidrolisada ou proteína novel (inédita para o pet) por 8 a 12 semanas, seguida de desafio provocativo.
Sinais: coceira que não responde a antialérgico, otite recorrente, vômito ou diarreia intermitentes, lambedura excessiva de patas. O nutricionista veterinário monta o protocolo de eliminação com dieta que seja nutricionalmente completa durante todo o período de teste.
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Nutrição no paciente oncológico
Pet em tratamento oncológico frequentemente apresenta caquexia (perda de massa muscular e gordura), inapetência e alterações metabólicas que prejudicam a resposta ao tratamento. A nutrição oncológica adapta a dieta para manter peso corporal, preservar massa muscular e fornecer energia em forma que dificulte o metabolismo tumoral — geralmente com maior aporte de gordura e proteína de qualidade, e restrição de carboidratos simples.
Indicação: pet em quimioterapia, radioterapia ou pós-cirúrgico oncológico, pet com perda de peso associada a neoplasia, pet com inapetência durante tratamento. Suplementação com ômega-3 (EPA/DHA), antioxidantes e aminoácidos específicos pode ser indicada conforme o caso.
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Dieta caseira e alimentação natural (AN)
A alimentação natural para pets ganhou popularidade, mas exige planejamento profissional rigoroso. Dietas caseiras sem formulação por nutricionista veterinário apresentam alto risco de deficiências em cálcio, zinco, vitaminas A e D, taurina (em gatos) e ácidos graxos essenciais — deficiências que podem causar fraturas, problemas cardíacos, cegueira e imunossupressão. A formulação leva em conta espécie, peso, idade, condição clínica e inclui suplementação mineral e vitamínica obrigatória.
O nutricionista calcula a receita completa com quantidades exatas de cada ingrediente, método de preparo, frequência e suplementação. Receitas prontas da internet não consideram as necessidades individuais do pet e não devem ser usadas sem orientação profissional.
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Nutrição de aves, roedores, coelhos e répteis
Pets não convencionais têm exigências alimentares radicalmente diferentes de cães e gatos — e erros de dieta são a causa mais frequente de doença nessas espécies. Calopsitas alimentadas só com sementes desenvolvem deficiência de vitamina A e cálcio. Coelhos sem feno ad libitum desenvolvem estase gastrointestinal e má oclusão dentária. Répteis sem suplementação de cálcio e UVB apresentam doença óssea metabólica (DOM). Iguanas alimentadas com alface e frutas desenvolvem desnutrição proteica.
A avaliação nutricional de pets não convencionais considera espécie, fase de vida, reprodução, ambiente (viveiro, terrário, gaiola) e exposição à luz UVB. Na Propet, o atendimento nutricional de silvestres e exóticos conta com a estrutura de consultório exclusivo e equipe com formação em medicina de silvestres.