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Úlcera de córnea (ceratite ulcerativa)
É a doença ocular mais frequente na rotina oftalmológica veterinária — responde por cerca de 50% dos atendimentos em cães. A úlcera é uma perda de tecido na superfície da córnea, causada por trauma (arranhão, corpo estranho, pelo ou cílio que toca a córnea), ceratoconjuntivite seca, infecção ou defeito de cicatrização. Raças braquicefálicas (Pug, Shih Tzu, Buldogue, Lhasa Apso, Pequinês) são as mais vulneráveis pela exposição ocular acentuada. Úlcera de córnea é emergência: sem tratamento, pode perfurar em horas e levar à perda do olho.
Sinais: olho fechado, lacrimejamento intenso, fotofobia, olho com área opaca ou esbranquiçada. Diagnóstico: teste de fluoresceína (corante que marca a área lesada sob luz azul). Tratamento: colírio antibiótico, lubrificante, atropina para controle de dor, colar elisabetano. Úlceras profundas ou perfuradas podem exigir cirurgia (enxerto conjuntival, membrana amniótica).
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Ceratoconjuntivite seca (KCS / olho seco)
Deficiência na produção de lágrima que leva a ressecamento, inflamação crônica e pigmentação da córnea. É uma das doenças oculares mais comuns em cães — afeta especialmente raças como Cocker Spaniel, Buldogue Inglês, Lhasa Apso, Shih Tzu, Yorkshire e West Highland White Terrier. Sem tratamento, a ceratoconjuntivite seca causa opacificação progressiva da córnea, úlceras recorrentes e, em casos avançados, cegueira. A causa mais frequente é imunomediada (o sistema imunológico destrói a glândula lacrimal), mas pode ser secundária a hipotireoidismo, cinomose ou remoção da glândula da terceira pálpebra.
Sinais: secreção espessa e mucosa (não aquosa), córnea opaca ou pigmentada, olho sem brilho, blefaroespasmo. Diagnóstico: teste de Schirmer (valores abaixo de 10 mm/min confirmam olho seco). Tratamento: colírio imunomodulador (ciclosporina ou tacrolimus) de uso contínuo, lágrima artificial, acompanhamento periódico.
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Catarata
Opacificação parcial ou total do cristalino (lente natural do olho) que impede a passagem de luz e causa perda progressiva da visão. Em cães, a catarata pode ser hereditária (Poodle, Cocker Spaniel, Schnauzer, Labrador, Golden Retriever, Yorkshire), diabética (aparece semanas após o diagnóstico de diabetes, bilateral e de progressão rápida) ou senil (em pets acima de 8 anos). Em gatos, é menos comum e geralmente secundária a uveíte crônica ou trauma.
Sinais: pupila esbranquiçada ou azulada (mais visível em foto com flash), esbarrando em objetos, hesitação em ambientes novos ou com pouca luz. Tratamento definitivo: cirurgia de facoemulsificação (remoção do cristalino opacificado com ultrassom e implante de lente intraocular) — procedimento com alta taxa de sucesso quando indicado no momento certo.
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Glaucoma
Aumento da pressão intraocular (PIO) que causa dor intensa e dano progressivo ao nervo óptico e à retina, levando a cegueira irreversível. Pode ser primário (hereditário — predisposição em Cocker Spaniel, Basset Hound, Beagle, Shar-Pei, Chow-Chow) ou secundário a uveíte, luxação de cristalino, tumor intraocular ou trauma. Glaucoma agudo é emergência: a pressão intraocular pode subir a níveis que danificam a retina em horas.
Sinais: olho vermelho e doloroso, olho aumentado de tamanho (buftalmia), pupila dilatada e fixa, lacrimejamento, pet apático ou agressivo por dor, cegueira súbita. Diagnóstico: tonometria (aferição de PIO). Tratamento: colírios hipotensores, tratamento da causa base; monitoramento de PIO contínuo — glaucoma não tem cura, tem controle.
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Uveíte (inflamação intraocular)
Inflamação da úvea (íris, corpo ciliar e coroide), que pode ser isolada ou sinal de doença sistêmica grave. Em cães, as causas mais comuns de uveíte são erliquiose, leishmaniose, leptospirose, brucelose e neoplasias. Em gatos, peritonite infecciosa felina (PIF), toxoplasmose, FIV/FeLV e linfoma são causas frequentes. A uveíte não tratada pode levar a glaucoma secundário, catarata e descolamento de retina.
Sinais: olho vermelho e doloroso, pupila contraída (miose), alteração na cor da íris, opacidade na câmara anterior (flare), fotofobia. Diagnóstico: exame com lâmpada de fenda e tonometria (PIO geralmente está baixa na uveíte), investigação de causa base. Tratamento: colírio anti-inflamatório e atropina, associado ao tratamento da doença de base.
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Entrópio, ectrópio e prolapso da terceira pálpebra
Entrópio é a inversão da margem palpebral para dentro, fazendo com que os cílios e a pele irritem a córnea — causa dor, lacrimejamento e, se não corrigido, úlcera de córnea crônica. Raças predispostas: Shar-Pei, Chow-Chow, Rottweiler, Buldogue, Labrador. Ectrópio é o oposto (pálpebra evertida), comum em São Bernardo, Basset, Bloodhound. O cherry eye é o prolapso da glândula da terceira pálpebra, comum em filhotes de Buldogue, Beagle, Cocker e Shih Tzu.
Tratamento: cirúrgico em todos os casos. No cherry eye, a cirurgia de reposicionamento (não remoção) da glândula é essencial para preservar a produção lacrimal e prevenir ceratoconjuntivite seca futura.